Caderno Temático 1
Caderno Tematico 1 2017 - Doencas Endemicas de Alagoas....pdf
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CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS
PRINCIPAIS
DOENÇAS
ENDÊMICAS
DE ALAGOAS
ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ
ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS
EVERTON SANTOS MARTINS
ISSN: 2238-9911
Conversando Sobre Ciências Em Alagoas N.1 2017
PRINCIPAIS
DOENÇAS
ENDÊMICAS
DE ALAGOAS
ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ
ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS
EVERTON SANTOS MARTINS
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Departamento de Tratamento Técnico da Editora da Ufal
Bibliotecária responsável: Fernanda Lins de Lima
L864p
López, Ana Maria Queijeiro.
Principais doenças endêmicas de Alagoas / Ana Maria Queijeiro
López, Anna Karoline Azevedo Farias, Everton Santos Martins. –
Maceió : [EDUFAL], 2017.
50 p. : il., color. – (Conversando sobre ciências em Alagoas, n 1 2017).
Bibliografia: p. 43-50.
ISSN: 2238-9911.
1. Saúde pública. 2. Doenças endêmicas. 3. Controle. 4. Diagnóstico.
I. López, Ana Maria Queijeiro, autora. II. Farias, Anna Karoline Azevedo,
autora. III. Martins, Everton Santos, autor.
CDU: 614.8
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS
PRINCIPAIS
DOENÇAS
ENDÊMICAS
DE ALAGOAS
ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ
ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS
EVERTON SANTOS MARTINS
Maceió | Alagoas | 2017
RESUMO
As doenças negligenciadas são um grupo de moléstias tropicais
endêmicas, especialmente entre as populações da África, Ásia e América Latina, mas
que têm se tornado um problema global de saúde pública. No Brasil, quatro das
doenças endêmicas listadas pela Organização Mundial de Saúde são
mencionadas como negligenciadas para todos os Estados e o Distrito Federal. Em
julho de 2012, iniciou-se um plano de ações e estratégias a fim de controlar e eliminar tais
enfermidades. A presente cartilha aponta o histórico, incidência, prevalência e
estratégias de controle das doenças endêmicas que mais preocupam
particularmente o Estado de Alagoas, como Filariose, Hanseníase,
Leishmaniose, Doença de Chagas, Esquistossomose, Dengue, Febre de
Chikungunya, Zika Vírus, Tuberculose, Oncocercose, Tracoma, Geohelmintias
transmitidas pelo solo e Gripe A.
Palavras-chave: controle; diagnóstico; incidência; prevalência; prevenção;
saúde pública.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................................09
2. DESCRIÇÃO DAS DOENÇAS ENDÊMICAS EM ALAGOAS .........................................................................11
2.1. FILARIOSE ...........................................................................................................................................11
2.2 HANSENÍASE ........................................................................................................................................13
2.3 ESQUISTOSSOMOSE ..........................................................................................................................15
2.4 DENGUE, ZIKA VÍRUS E FEBRE CHIKUNGUNYA ..................................................................................20
2.5 TRACOMA ..............................................................................................................................................25
2.6 TUBERCULOSE .....................................................................................................................................28
2.7 DOENÇA DE CHAGAS ...........................................................................................................................30
2.8 LEISHMANIOSE CUTÂNEA ...................................................................................................................33
2.9 LEISHMANIOSE MUCOCUTÂNEA ..........................................................................................................34
2.10 LEISHMANIOSE VISCERAL ...............................................................................................................34
2.11 ONCOCERCOSE .................................................................................................................................36
2.12 GRIPE A ..............................................................................................................................................38
2.13 GEOHELMINTÍASES ..........................................................................................................................39
2.13.1 ASCARIDÍASE .....................................................................................................................39
2.13.2 TRICURÍASE ........................................................................................................................40
2.13.3 ANCILOSTOMÍASE ................................................................................................................41
3.
CONCLUSÃO ................................................................................................................................................43
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................................45
1
INTRODUÇÃO
Por endemia compreende-se enfermidade, geralmente infecciosa, que domina constantemente certo país
ou região por influência de causa local (BRASIL, 2001). As doenças endêmicas preocupam a saúde pública há quase um século,
principalmente devido às perdas sociais em especial nas populações menos favorecidas. Graças ao avanço da
ciência, por outro lado, essas doenças puderam ser controladas em várias regiões do mundo. No Brasil, as doenças
assim descritas são a malária, a leishmaniose, a esquistossomose, a febre amarela, a dengue, o tracoma, a doença
de Chagas, a hanseníase, a tuberculose, a cólera e a gripe A.
Em termos históricos, visando encontrar soluções para o controle de doenças infecciosas no país, a
saúde pública brasileira criou, no final do século XIX uma nova disciplina científica, isto é, a microbiologia. Essa especialização levou
à detecção de significativa quantidade de vetores que causavam as doenças endêmicas. Nessa época, a saúde pública brasileira
preocupava-se muito com a localização dos cemitérios e hospitais, com a drenagem de terrenos e até com pessoas
que apresentassem distúrbios mentais ou leprosos, isolando tais ambientes. A partir do início do século XX, o
cientista brasileiro Carlos Chagas descobriu o inseto vetor do parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas No
mesmo período, houve o controle do vetor da febre amarela, Aedes aegypti, o que diminuiu os casos dessa doença até
que na década de 30, quando a erradicação desse inseto, aliada com a vacina contra febre amarela, fizeram com
que a doença aparentemente desaparecesse, voltando novamente na década de 80.
Nos anos 1950-1960, o governo norte-americano apoiou fortemente as agências brasileiras de
controle de endemias para conter epidemias, em especial devido a duas importantes circunstâncias ocorridas
anteriormente: o retorno da febre amarela urbana no Rio de Janeiro, de 1928 a 29, e a detecção do Anopheles gambiae
no Rio Grande do Norte. Portanto, a fundação Rockefeller teve uma grande participação na formação do pensamento
sanitário brasileiro, visto haver patrocinado bolsas de estudos para muitos brasileiros se capacitarem na
escola de saúde pública da universidade Johns Hopkins, em Baltimore. Os três primeiros bolsistas foram os
médicos Carlos Chagas, Geraldo H. de Paula Souza e Francisco Borges Vieira. A partir de então, ainda que
mantidas as ações de controle de endemias, essas foram deixando de ter a prioridade do início da década de
1950 pela lógica oficial. Tanto que o Aedes aegypti, erradicado em 1955, voltou e aparentemente foi eliminado do
país por diversas vezes, até que depois da reinfestação constatada em 1973, não mais se alcançou a erradicação
(SILVA, 2003).
O desmantelamento da estrutura de controle das endemias durante o fim do governo militar, que focou seu projeto
de desenvolvimento em indústrias de base e de infraestrutura urbana, com oferta de atenção médico-hospitalar à
crescente população das capitais, só fez crescer durante a democracia restituída, por conta da implantação do
Sistema Único de Saúde (SUS). Este transferiu o controle de todo o sistema de assistência médico-hospitalar público, até
então na sua maior parte nas mãos de órgãos previdenciários, para o Ministério da Saúde e das Secretarias
Estaduais e Municipais de Saúde.
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Na atualidade, entre 04 de janeiro e 18 de abril de 2015 (15 semanas epidemiológicas), o Ministério da Saúde registrou um
total de 745.957 pessoas infectadas pelo vírus da dengue, transmitido por A.aegypti, sendo confirmados 404 casos graves e
5.771 casos de dengue com sinais de alarme, contra 270 casos graves e 3.115 casos com sinais de alarme para o mesmo
período de 2014. A região Sudeste teve o maior número de casos notificados no período (489.636 casos; 66,2%) em relação ao
total do país, seguida das regiões Nordeste (97.591 casos; 11,5%), Centro-Oeste (85.340 casos; 12,4%), Sul (46.360 casos; 5,8%)
e Norte (27.030 casos; 4,1%). Houve também a confirmação de 229 óbitos, o que representa um aumento no país de 45% em
comparação com o mesmo período de 2014, quando foram confirmados 158 óbitos. A incidência da doença no período em Alagoas
é de 122,1 casos por 100 mil habitantes (BRASIL, 2015a). Mais ainda, em 2014, nas semanas epidemiológicas 37 a 53, foram
notificados 3.657 casos autóctones suspeitos de febre de Chikungunya – também transmitida por A. aegypti. Destes, 2.772 foram
confirmados, sendo 140 por critério laboratorial e 2.632 por critério clínico-epidemiológico; 477continuam em investigação e
408 foram descartados em 2015. Já nas primeiras 15 semanas de 2015, foram notificados 3.135 casos autóctones suspeitos de
febre de Chikungunya. Destes, 1.688 foram confirmados, sendo cinco por critério laboratorial e 1.683 por critério clínicoepidemiológico, e 1.407 continuaram sendo analisados. Nas 15 últimas semanas de 2014 e 15 primeiras de 2015 foram
ainda registrados e laboratorialmente confirmados 100 casos importados de febre de Chikungunya nos Estados de Amazonas, Pará,
Roraima, Amapá, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul,
Goiás e também no Distrito Federal (BRASIL, 2015a). Por outro lado, no final de 2015, no município de Camaçari, Estado da
Bahia, pessoas foram infectadas por outro vírus transmitido também por A. aegypti e outras espécies do mesmo gênero,
como A. albopictus e outros, isto é, o Zika Vírus, que causa doença com sintomas parecidos emais brandos do que os da
dengue e da febre Chikungunya, istoé,febre, diarreia, dores e manchas no corpo, além de conjuntivite. Esse assustou a população
baiana, sendo identificado por Gúbio Soares e Silvia Sardi, ambos pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Federal da
Bahia (MINAS GERAIS, 2015).
No entanto, ao mesmo tempo em que o país se vê às voltas com repetidas epidemias de dengue, com a
circulação, até 2015, de quatro sorotipos diferentes do vírus, e de outras doenças transmitidas pelo mesmo inseto vetor,
ou apresente expansão territorial da esquistossomose, por mais que esta seja controlada com medicação específica,
eficaz e de custo acessível, com tendência de decréscimo de 0,25% ao ano, a maioria dos Estados brasileiros têm sido certificados pela OPAS
(Organização Panamericana da Saúde) por terem erradicado a doença de Chagas, mediante uma ação coordenada e sustentada contra o
inseto vetor (transmissão vetorial encerrada em 2006), e controle da transmissão por transfusão sanguínea e até por via materna. Os dois
Estados que ainda registram casos, como Pará e Amapá, têm na transmissão oral, via caldo de cana e suco de açaí
contaminados, a principal fonte de atenção dos agentes de controle (BRASIL, 2011b; MAGALHÃES-SANTOS, 2015).
Algumas endemias importantes, portanto, foram controladas, ou por ação direta dos programas de controle,
ou por força da evolução da sociedade, como urbanização, saneamento e melhoria das condições de vida. Não obstante, as
grandes endemias ainda constituem um dos maiores desafios à saúde pública, uma vez que atingem principalmente pessoas
menos favorecidas. Entre as doenças endêmicas citadas, a maioria delas é oriunda da pobreza, isto é, de condições
precárias de vida e a falta de saneamento básico é um dos principais fatores que contribuem para o aparecimento de
algumas doenças, tais como: a malária, a cólera, a hanseníase, etc.
Esta cartilha visa apresentar um breve histórico das principais endemias encontradas em Alagoas, e sua
incidência e prevalência no Estado.
2
DESCRIÇÃO DAS DOENÇAS ENDÊMICAS EM ALAGOAS
2.1
FILARIOSE
As filarioses são infecções causadas por qualquer dos diversos nematóides da família Filarioidea, isto é, filárias,
que habitam vasos linfáticos, como Wuchereria bancrofti, Brugia malayi e B. timori, todos causadores da doença
parasitária crônica conhecida também como Elefantíase. A transmissão ocorre através da picada de um
mosquito que introduz as larvas infectantes.
Na Região das Américas, a única espécie transmitida é o W. bancrofti, sendo os vetores mais
importantes as espécies: Culex quinquefasciatus (Figura 1), Anopheles gambiae e A. funestos, Aedes
polynesiensis, A. scapularis e A. pseudoscutellaris, B. malayi e B. timori são reportadas respectivamente na
Malasia e no Timor.
Figura 1 - Ciclo biológico do agente causal da filariose (Wuchereria bancrofti) no inseto vetor (Culex quinquefasciatus) e
no homem.
Fonte: Adaptado de CDC (Centers for Disease Control and Prevention), 2015a.
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A filariose linfática (FL) detectada no Brasil é a bancroftose (W. bancrofti) transmitida pela picada,
geralmente noturna, da fêmea do mosquito C. quinquefasciatus infectada com larvas do parasito. Os vermes
adultos que se desenvolvem nos vasos linfáticos provocam lesões que desencadeiam respostas
imunológicas nos hospedeiros (febre, mal estar, calafrios, dor, vermelhidão ao longo dos vasos linfáticos e
inchaço dos gânglios linfáticos), além de outros sintomas com o passar do tempo (obstrução dos vasos formando
nódulos, espessamento da pele e favorecendo infecções bacterianas secundárias). O intervalo de incubação ao qual a
maioria dos parasitados é assintomática, pode ser de um ou vários meses. Dez a quinze anos depois do
início da infecção, no entanto, o quadro se agrava e manifesta-se como aumento grotesco (deformidade) do volume das
regiões afetadas (linfedema), principalmente escroto e membros inferiores, assemelhando-se a patas de elefante.
Daí o nome popular da doença como “elefantíase”, que causa incapacidade grave e afeta social e
economicamente os indivíduos que possuem esta doença.
O diagnóstico da FL ocorre de cinco formas: 1) observação direta de microfilárias (análise direta do sangue,
concentração de Knott e filtração de membrana de policarbonato); 2) observação de vermes adultos (biópsias linfonodais
e ultrassonografia para detectar a movimentação dos vermes e dilatação dos vasos linfáticos); 3) sorologia; 4)
diagnóstico molecular; 5) exames de imagem.
Nas últimas décadas, houve considerável avanço nas estratégias de combate a essa endemia.
Por isso, em 1997, a Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs sua eliminação global como problema de saúde
pública até o ano 2020. O Brasil aderiu ao chamado da OMS, tornando-se signatário dessa proposta
nesse mesmo ano (BRASIL, 2007a).
O tratamento em massa com citrato de dietilcarbamazina (DEC) mais albendazol, que se aplica uma vez ao
ano por um período de 5 até 6 anos a todas as pessoas que vivem nas comunidades endêmicas, tem
demonstrado ser uma medida eficaz para interromper a transmissão da filariose linfática. A metodologia TAS (Estudo
da Avaliação da Transmissão, cuja sigla vem do inglês Transmission Assessment Survey) é uma ferramenta que
permite aos chefes de programa de eliminação da filariose linfática decidirem se podem parar com a administração em
massa de medicamentos (DEC+ALB), pois a transmissão da doença foi interrompida, ou se devem seguir com o
tratamento comunitário.
Em virtude de uma resolução da Assembléia Mundial da Saúde de 1997, a OPAS e a OMS (Organização Mundial
da Saúde) colocaram em marcha um programa mundial com o objetivo de eliminar as filarioses linfáticas como
problema de saúde pública, mediante uma aliança dos países onde a enfermidade é endêmica e com a
participação dos setores públicos e privados. Embora as ações ambientais visando o controle vetorial não
tenham sido uma prioridade desse programa, em muitos momentos, o controle da filariose foi beneficiado pela adoção
dessas ações em campanhas contra outros agravos, o que certamente contribuiu para o quadro
epidemiológico atual, no qual se considera que a transmissão esteja restrita a alguns poucos locais. Em
2015, só existia um foco ativo dessa doença no Estado de Pernambuco (Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e
Paulista), que estavam perto da interrupção da transmissão da doença devido às ações de tratamento e
vigilância que estavam sendo implementadas. A região metropolitana do Recife tem índices de microfilarêmicos
variando de 2-15% em comunidades de baixo nível socioeconômico.
Nos últimos anos o programa “SANAR”, da Secretaria de Saúde de Pernambuco, em cooperação
técnica com OPAS/OMS e apoio do Ministério da Saúde do Brasil, intensificaram as ações para combater
doenças infecciosas negligenciadas em geral, alcançando bons resultados em relação a FL e
interrompendo a transmissão dessa doença em Alagoas, Bahia, Pará, Rio Grande do Sul e Santa
Catarina. Cidades que até recentemente eram focos ativos da FL, como Belém do Pará (Região Norte)
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 13
e Maceió (Região Nordeste), pelos dados atuais mostram a interrupção da transmissão da parasitose (ROCHA et al.,
2000).
Em março de 2014, realizou-se o primeiro seminário nacional de capacitação de profissionais sobre os
estudos para a avaliação da transmissão (EAT) da FL, como iniciativa da Secretaria Estadual da Saúde de
Pernambuco, do Ministério da Saúde do Brasil, e apoio técnico e financeiro da OPAS/OMS, Centro de Prevenção e
Controle de Doenças (CDC), e Agência para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID), em Recife
(Pe). Neste, 25 profissionais brasileiros da área da saúde foram treinados, visando o monitoramento do progresso
na meta estabelecida em resolução CD49.R19, aprovada pelo Conselho Diretório da OPAS em outubro
de 2009, de eliminação da doença. Assim, somente após a compilação de documentos com a evidência da
interrupção da transmissão de FL é que o Brasil poderá solicitar à OPAS/OMS o registro da erradicação da
mesma em todo território
2.2 HANSENÍASE
Existente desde os primórdios da humanidade, essa doença infecto-contagiosa até muito
recentemente era estigmatizante, e seus portadores sumariamente alijados da sociedade. O
preconceito era tanto que o nome lepra (do grego lepros, que significa manchas na pele), utilizado no
passado, assustava as pessoas e as mantinha a distância dos pacientes. O bacilo Mycobacterium leprae foi
descrito por Hansen em 1873, dando origem ao novo nome da enfermidade, isto é, Hanseníase, sendo a
primeira bactéria a ser reconhecida como causadora de uma doença. Esta foi conhecida no passado
“mal de Lázaro”, pela afinidade do patógeno pela epiderme, tecido dos olhos e nervos periféricos,
causando nestes sintomas deformantes característicos (BRASIL, 2007b).
Para que a transmissão da bactéria ocorra, é necessário o contato direto com a pessoa
doente não tratada. As principais visa de eliminação do agente infecioso e possível porta de entrada
no organismo são as vias aéreas superiores (trato respiratório), podendo também, eventualmente, ocorrer por
meio da pele erodida (ARAÚJO, 2003). O surgimento da doença, e as distintas manifestações clinicas (Figura 2)
dependem, dentre outros fatores, da relação parasita/hospedeiro. No geral, o patógeno apresenta sinais
e sintomas dermatológicos localizados principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na
face, nas orelhas, nas costas, nas nádegas e nas pernas. Os principais sintomas incluem manchas
esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo, pele seca, sem
sudorese e com queda de pelos em determinadas áreas (como sobrancelhas), zonas da pele sem
sensibilidade ao toque ou calor (dormência), dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos
nervos dos braços e das pernas; edema ou inchaço de mãos e pés; diminuição da força muscular das
pálpebras, membros superiores e inferiores, úlceras de pernas e pés, nódulos (“caroços”) no corpo, em
alguns casos avermelhados e dolorosos (BRASIL, 2007).
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Figura 2 - Hanseníase- transmissão, sintomas e tratamento.
Fonte: Adaptado de MORHAN (Movimento de Reintegração das Pessoas atingidas pela Hanseníase), 2015.
Esses sintomas peculiares permitem, na maioria dos casos, o fácil diagnóstico da doença, e se
realizado precocemente, possibilita eliminar fontes de infecção e evitar sequelas neurológicas. A hanseníase,
portanto, tem cura e quando tratada na fase inicial não causa deformidades. O tratamento compreende quimioterapia específica
(poliquimioterapia- PQT), por meio de comprimidos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e monitoramento médico
visando identificar possíveis complicações e prevenção das incapacidades físicas. Portanto, diagnóstico precoce seguido do
tratamento são elementos-chave para cessar a transmissão do bacilo. Uma importante medida preventiva é a
realização do exame dermato-neurológico e aplicação da vacina BCG nas pessoas que vivem com os portadores
dessa doença (LASTÓRIA et al., 2012). Em 2010, dos 40.474 casos novos de hanseníase nas Américas, 93% foram notificados
no Brasil (OMS, 2010), onde o coeficiente de prevalência vem decaindo nos últimos anos. No entanto, a região Nordeste ainda
apresenta alta endemicidade (BRASIL, 2014). Em 2010, foram registrados 383 casos novos (7,6% em menores de 14 anos) em
59 municípios de Alagoas (Figura 3) (BRASIL, 2011a).
Figura 3 - Coeficiente geral de detecção de hanseníase por municípios de Alagoas no ano de 2010, apresentado em
relatório do Ministério da Saúde.
Fonte: BRASIL, 2011a.
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 15
2.3 ESQUISTOSSOMOSE
A Esquistossomose, também conhecida como “barriga d’água”, “doença do caramujo” ou “xistose”,
é causada pelo parasita da classe Trematoda, o verme Schistossoma mansoni, que é um das 5 espécies
do gênero Schistossoma. Em 2008, CARDOSO & OLIVEIRA descreveram que cerca de 70 milhões de
pessoas estavam infectadas no mundo por esquistossomose, afetando diretamente mais de 200
milhões, com cerca de 600 milhões de pessoas habitando áreas de risco em 76 países.
O principal hospedeiro e reservatório do parasita é o homem, sendo a partir de suas fezes e
urina que os ovos são distribuídos na natureza. Possui ainda como hospedeiros intermediários os
caramujos do gênero Biomphalaria, nos quais os ovos passam a forma larvária. Moluscos desse
gênero possuem duas características biológicas fundamentais para preservar a espécie e expandir sua
população em regiões que sofram variações ambientais constantes: a primeira é o seu hermafrodismo
associado à autofecundação e fecundação cruzada; a segunda é sua capacidade de entrar em estágio fisiológico
vegetativo nos períodos de seca, e assim mantendo-se vivos até a próxima estação úmida (TUAN, 2009). A espécie
B. glabrata (SAY, 1818) é o vetor (Figura 4) mais importante do S. mansoni (SAMBOM, 1907) nas Américas,
devido ao alto potencial biológico de infecção natural e vasta distribuição (BARBOSA et al., 2000; PARAENSE,
1963; 1972; SOUZA, JANNOTTI-PASSOS & FREITAS, 1995). Sua presença, associada àquela de indivíduos
contaminados, pode estabelecer a endemia esquistossomótica.
Figura 4- Hospedeiro intermediário de Shistosoma mansoni, o caramujo Biomphalaria glabrata, fotografado no Suriname.
Fonte: AFC (Association Française de Conchyliologie), 2015.
A esquistossomose durante muito tempo prevaleceu em locais com alto índice de pobreza e baixo
desenvolvimento econômico, em que a população utiliza água de rios e açudes para as atividades domésticas,
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agrícola, de higiene pessoal e até recreação, sem saneamento básico e sem acesso aos serviços
de saúde, contribuindo diretamente na contaminação e endemia esquistossômica (SILVA & DOMINGUES, 2011),
o que auxiliava na manutenção do quadro de desigualdade, por acometer indivíduos em idade produtiva. Em
vários países tropicais isso ainda ocorre, mas no Brasil, ainda que seja calculada a existência de
aproximadamente 12 milhões de infectados, essa doença tem revelado não ter mais barreiras
econômicas. O início dessa expansão é explicado pela oferta de mão de obra não qualificada gerada pelo aumento
crescente e desordenado de pousadas e condomínios de veraneio nas áreas costeiras (Figura 5), em especial do Nordeste,
as quais atraem populações rurais desempregadas e, em alguns casos, parasitadas pelo S. mansoni. O
crescimento populacional desenfreado com um modelo de ocupação onde os recursos naturais, como os
manguezais, são aterrados e destruídos pela expansão inescrupulosa do setor imobiliário, tem aglutinado
sem qualquer infraestrutura de saneamento a migração rural, favorecendo de alguma forma a
contaminação de coleções hídricas de água doce que se transformam em novos focos. Nesse contexto,
não apenas a população menos favorecida é vítima, mas também turistas sem problemas econômicos.
Figura 5 - Ocorrência de Biomphalaria glabrata por municípios brasileiros.
Fonte: CARVALHO et al., 2008.
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 17
SILVA et al. (2006) avaliaram os parâmetros físico-químicos (salinidade, amônia, sulfatos, dentre outros) e
biológicos (microalgas) relacionados à sobrevivência de B. glabrata, visto que no passado este era restrito ao
ambiente de água doce, mas a partir da constatação de surtos epidêmicos de esquistossomose
ocorridos no litoral de Pernambuco, considerou-se a possibilidade de seleção natural de espécies de
moluscos mais resistentes à salinidade, visto sua presença atual em águas salobras até para o
consumo humano. Segundo COUTO (2005), B. glabrata é mais disseminada na faixa do litoral nordestino
entre o Rio Grande do Norte e o sul da Bahia, e com menos presença no interior dos Estados.
O ciclo vital do verme (Figura 6) consiste em duas etapas. Na primeira, larvas penetram nos caramujos que
habitam águas doces, desenvolvem-se e se transformam em outras larvas adultas, as cercárias. No segundo
momento, as cercárias abandonam o hospedeiro intermediário, se dispersam principalmente em águas
não tratadas, e infectam o ser humano penetrando através da sua pele, onde causam uma inflamação local, isto é, uma
reação do tipo alérgica com coceira e vermelhidão.
Figura 6- Ciclo vital do Shistosoma mansoni, parasita causador da esquistossomose.
Fonte: Adaptado de CDC (Centers for Disease Control and Prevention), 2015b.
A reação ocorre em torno de aproximadamente 24 horas após a contaminação. Após 4 a 8
semanas surge o quadro de febre, calafrios, sudorese, dor de cabeça, dores abdominais e musculares,
falta de apetite, náuseas, vômitos e tosse seca e diarreia – sintomas esses que, na fase aguda, podem levar a
óbito (TORELLY, 2010). No homem, o parasita se aloja nas veias do intestino e fígado, desenvolve-se
durante cerca de 6 semanas até atingir de 1 a 2 cm de comprimento (período de incubação), e, então, na forma adulta,
causa obstrução dos vasos, com aumento do volume do baço e fígado devido às inflamações causadas pela presença
18 ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ | ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS | EVERTON SANTOS MARTINS
do verme ou de seus ovos. No sistema venoso humano, portanto, os parasitas adultos se reproduzem e liberam
ovos, o que pode se repetir durante muitos anos. A doença, portanto, pode ser crônica e levar a morte (SANTOS & TOLEDO
FILHO, 2014).
O diagnóstico da doença é feito através de exames de fezes, urina e sangue. Tal doença ainda é
um grave problema de Saúde Pública no Brasil, com áreas de concentração no Nordeste e no Estado de
Minas Gerais. A endemia tem possibilidades de expandir-se em decorrência da associação de fatores,
tais como as vastas regiões agrícolas com extensivos projetos de irrigação, a consequente devastação
ambiental e a ocupação da terra por migrantes de baixo nível socioeconômico, fatores estes que estimulam a
proliferação dos moluscos transmissores da doença (PARAENSE, 2001). Os Estados nordestinos em situação mais
preocupante são: Alagoas - onde foram registrados mais de 12 mil casos da doença em 2011,
Sergipe e Pernambuco, onde quase nove mil pessoas foram diagnosticadas com esquistossomose.
Pernambuco é o Estado que mais registra óbitos relacionados a essa doença no país - enquanto 157
pessoas ali morreram vítimas da doença em 2011, no Piauí esse número não passou de um único caso
(SESAU-AL, 2012). Nas últimas décadas, tem se evidenciado o aumento do número de casos nas áreas urbanas e
costeiras, relacionado ao fluxo migratório de populações rurais para o meio urbano em busca de uma melhor
qualidade de vida. Como o território das cidades não acompanha esse crescimento populacional, esses
grupos tendem a se estabelecer em periferias onde não há uma infraestrutura e saneamento adequados,
favorecendo a proliferação da esquistossomose, assim como outras doenças parasitárias.
No território alagoano, as águas são fonte de lazer e de geração de renda, sendo este cortado por
vários rios e lagoas. No entanto, também é em meio aquático que cresce o vetor do parasita responsável
pela esquistossomose. Os primeiros registros de sua ocorrência no Estado foram efetuados na cidade
de Penedo, onde encontrou planorbídeos infectados (LUCENA, 1947). Posteriormente, a espécie foi descoberta em mais
23 municípios do Estado (BARBOSA & FIGUEIREDO, 1969; BARBOSA et al., 1970; LUCENA, 1949, 1950,
1956, 1957; PARAENSE et al., 1983). No final do século XX, a presença de B. glabrata foi constatada em
municípios do norte do Estado, situados nas bacias hidrográficas dos rios Coruripe, Traipu, Mundaú e Paraíba, onde
sucede alta endemicidade da esquistossomose (COUTO, 1995), e ao sul, em Penedo (COUTO, 1997).
Em estudos de 1996-1998 da doutora Janira Lúcia Couto, da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), em colaboração com a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, considerando 40 municípios
endêmicos dos 102 que formam o Estado de Alagoas (28 pertencentes à mesorregião do leste Alagoano e 12 à
mesorregião do Agreste Alagoano), 32 (80%) apresentavam o molusco vetor da doença procedente de diversos tipos de
criadouros: riachos, córregos, valas, açudes, brejos e poços. Para a identificação do mesmo após as coletas, esses
pesquisadores efetuaram exame anatômico das partes moles, após remoção das conchas, e detectaram as
cercárias de S. mansoni através da técnica de esmagamento. Dos exemplares de B. glabrata detectados,
apenas em 6 municípios estes apresentavam infecção por cercárias do parasita. Penedo apresentou a maior taxa
de infecção (6,6%), seguindo-se de Ibateguara (5,6%). Taxas menores foram observadas em Chã Preta (2,7%), Murici
(2,5%), Porto Real do Colégio (0,1%) e Igreja Nova (0,1%). O inquérito copro-parasitológico efetuado pela Fundação
Nacional de Saúde (FUNASA), de 1997-2000, confirmou a importância da endemia nessas regiões. Porém, a mesma
FUNASA, através do Programa de Controle da Esquistossomose em Alagoas, informou um recrudescimento da
endemia (FUNASA, 1995a, 1995b, 1998). De acordo com tais dados, existem zonas hiperendêmicas, com 69% do
território alagoano como área endêmica e mais de dois milhões de indivíduos expostos a esquistossomose
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 19
com manifestações graves da doença e mortalidade atribuída à infecção. Por outro lado, mais de 2,5
milhões de pessoas vivem sob o risco de contaminação. Os resultados da análise de exames
realizados em crianças e jovens de 2 a 15 anos de idade, em diferentes municípios, superaram os limites
determinados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em Santana do Mundaú, 690 indivíduos foram monitorados
durante dois anos, constatando-se carga parasitária média de 187,9 ovos por grama de fezes, valor este
bastante elevado. Além disso, naquele município a taxa de infecção atingiu 27,72% em 2010, quando a OMS
considera muito alta uma taxa de 5% (PALMEIRA et al., 2010). Esses dados foram muito similares aos de outras
cidades de Alagoas nos estudos mencionados. Mais recentemente, as situações de Capela, Rio Largo,
Marechal Deodoro e Maceió também foram consideradas preocupantes, onde os riscos aumentam com o
acúmulo de água parada. Na periferia da capital alagoana já foram encontrados muitos caramujos
infectados pelo parasita, e o mesmo no tocante à Zona da Mata Atlântica de Alagoas e do litoral, sendo estes
prevalentes em criadouros artificiais estabelecidos pelo homem, como poços, valas de irrigação e açudes.
Atualmente, a atenção dos pesquisadores da UFAL está voltada para a cidade de Marechal
Deodoro. O grupo desenvolve trabalhos educativos na Vila Altina e em Taperaguá – povoados com elevado número de
infectados, realizando exames em jovens e crianças da região e, em parceria com a Secretaria Municipal de
Endemias, têm disponibilizado ainda a medicação aos indivíduos com diagnósticos positivos para a
presença de ovos nas amostras de fezes. Tais pesquisadores utilizam os métodos de Lutz, uma análise
qualitativa e de rotina, e o Kato Katz, que é quantitativo, para a contabilização do número de ovos no indivíduo.
Tais metodologias permitem quantificar a carga parasitária aproximada na população analisada. Na região de Vila
Altina, foram realizados exames em 300 pessoas, das quais 105 estavam infectadas. Esse resultado indicou que
35% dos investigados possuíam ovos do parasita distribuídos pelo organismo. O grupo detectou ainda a
presença de 22 ovos no exame de Lutz de um garoto de 12 anos. Em pesquisa anterior, realizada em 2011, os
números foram ainda mais alarmantes. Na ocasião, 91% das 200 amostras de fezes coletadas em Vila Altina
apresentaram infecção parasitária além do responsável pela esquistossomose, isto é, 182 das 200 pessoas
avaliadas possuíam algum outro tipo de parasita intestinal (Ascaris lumbricoides, Enterobius vermicularis,
Hymenolepis nana, Entamoeba histolytica e Ancilostomídeos).
Com relação às medidas de controle efetivamente existentes no Brasil contra tal
enfermidade, l i m i t a m - s e ao tratamento direto da população com antiparasitários de dose única e ao
combate ao molusco vetor nas coleções hídricas, sem investir-se o suficiente no saneamento básico para
melhorar as condições ambientais que levam ao contágio humano. A prevenção, contudo, ainda é o
melhor controle, requerendo-se algumas ações, como: evitar o nado em lagos, canis e rios em regiões
onde a esquistossomose ocorre; certificar-se que a água de consumo é tratada e, na dúvida, fervê-la por três minutos e
filtrá-la; aquecer a água de banho por 5 minutos a cerca de 65ºC em regiões notadamente endêmicas; secarse imediata e vigorosamente com toalha limpa quando ocorrer exposição acidental rápida em água
contaminada, evitando que o parasita penetre a pele.
Em Alagoas, a distribuição dos medicamentos para o tratamento da esquistossomose não
representa um obstáculo, mas as dificuldades estão na carência de práticas educativas e de
saneamento básico. No interior do Estado, a maior parte das casas já é construída com tijolos e alvenaria,
com água canalizada e coleta de lixo, mas de forma sempre precária. Em Santana do Mundaú, por
exemplo, as águas e os dejetos dos banheiros de casas, bares e restaurantes desembocam no rio
Mundaú, contaminando as água e caramujos, que se infectam com as larvas eclodidas dos ovos de
fezes humanas. Em outros municípios, há falta de pontes e passarelas que liguem uma região a outra da
20 ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ | ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS | EVERTON SANTOS MARTINS
cidade, e isso ameaça a população, visto que as crianças precisam andar mais de 3 km para chegar até a
escola, atravessando a pé os rios para evitar os longos trajetos e se expondo à infecção.
Em termos de Brasil, no entanto, desde 2012 o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) divulga resultados
referentes à primeira vacina contra a esquistossomose do mundo, fundamentada na proteína recombinada
ligante a ácido graxo (FABP) dos membros dos Schistosoma, chamada antígeno Sm14. Em 2013, os testes
de fase 1 que haviam sido concluídos em seres humanos masculinos foram estendidos a mulheres.
Esses testes estavam estritamente relacionados com a segurança, que é o principal atributo de uma
nova vacina. Em 2014 foram iniciados os testes Fase II, que incluiu crianças de áreas onde há grande
quantidade de pessoas infectadas. Isso é feito gradativamente, iniciando-se com um pequeno número, que vai
aumentando gradativamente, de modo que, nos próximos três a quatro anos, os testes clínicos poderão ser
encerrados para que a vacina já esteja disponível para a população (TENDLER et al., 2015). Essa pesquisa é
um marco para a pesquisa no Brasil, pois foi a primeira vez que testes clínicos de fase I para uma vacina no
país, indicando não somente o sucesso no combate à esquistossomose, mas quanto aos desdobramentos
positivos no enfrentamento a outras enfermidades, já que tal vacina tem potencial multivalente e já mostrou ser eficaz
para a fasciolose (verminose que afeta o gado), tendo chances de servir como base para o desenvolvimento de
imunizantes para outras doenças humanas causadas por helmintos.
2.4 DENGUE, ZIKA VÍRUS E FEBRE CHIKUNGUNYA
A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família flaviridae, o
qual é transmitido ao homem através da picada do mosquito Aedes aegypti (Figura 7) igualmente infectado (BRADY
et al., 2015).
Figura 7 - Aedes aegypti - mosquito vetor de arboviroses como o vírus da dengue, da febre Chikungunya e o Zika Vírus.
Fonte: Adaptado de GARANHUNS-Pe, 2010.
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 21
Tal inseto, originário da África, chegou ao continente americano durante a colonização, e
costuma causar epidemias durante o verão ou após períodos chuvosos. Os sintomas da dengue se
manifestam a partir do 3° dia da picada, não havendo transmissão pelo contato com um doente, suas
secreções, água ou alimento. É a arbovirose atualmente considerada um dos principais problemas de
saúde pública de todo o mundo, com quatro sorotipos de vírus (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4), sendo
também uma das enfermidades com maior incidência em todos os Estados do Brasil,
independentemente da classe social. São bem conhecidas a etiologia da doença e os mecanismos
de transmissão. O seu espectro clínico é muito amplo, variando de formas assintomáticas ou
oligosintomáticas até formas graves e letais, de modo que clinicamente pode se apresentar de quatro
formas diferentes: infecção não aparente, dengue clássica, febre hemorrágica da dengue e síndrome de
choque da dengue.
A dengue clássica é semelhante à gripe, e é uma das formas mais leve da doença. A pessoa
infectada tem febre alta, entre 39 e 40ºC, forte dor de cabeça atrás do olhos, a qual piora com o movimento dos
mesmos, dor nas costas, perda do paladar e apetite (anorexia). Do segundo ao sexto dia da infecção podem ser
observados náuseas, vômitos e diarreia, manchas e erupções na pele semelhantes ao sarampo,
principalmente no tórax e membros superiores, tonturas, extremo cansaço, moleza, dor no corpo e muitas
dores nos ossos e articulações. Em alguns poucos pacientes podem ocorrer hemorragias discretas na
boca, na urina ou no nariz. Raramente há complicações, e a melhora dos sintomas é progressiva somente
aos 10 dias do início dos sintomas.
Mas também há a dengue hemorrágica, isto é, uma forma mais grave da doença, geralmente
quando a pessoa é infectada pela segunda vez. No início, os sintomas são iguais ao dengue
clássico, depois dores abdominais fortes e contínuas, pele pálida e com manchas vermelhas, fria e
úmida, vômitos persistentes, e após o 5º dia da doença, alguns pacientes começam a apresentar
sangramento pelo nariz, boca e gengivas, sede excessiva e boca seca, pulso rápido e fraco, dificuldade
respiratória, sonolência, agitação, confusão mental e choque. Os sangramentos ocorrem em vários órgãos.
Alguns doentes apresentam choque circulatório. Esse tipo de dengue pode levar a pessoa ao óbito.
Cerca de 2,5 bilhões de pessoas encontram-se sob risco de dengue, particularmente em
países tropicais onde a temperatura e a umidade favorecem a proliferação do mosquito vetor. Entre
as doenças re-emergentes, é a que se constitui em problema mais grave de saúde pública no Brasil,
devido à quantidade de casos notificados anualmente e por abranger a totalidade do território nacional, com
potencial de ocorrerem novas epidemias associadas à circulação do sorotipo DEN-3 e a possibilidade da
entrada do DEN-4 - único sorotipo que ainda não tem disseminação em todos os Estados (PENNA &
TEMPORÃO, 2010). Por outro lado, em São Paulo e Rio de Janeiro, a população está sujeita a todos os sorotipos
(hiperendemicidade), de modo que a chance de uma pessoa ser infectada várias vezes é maior, com
maior probabilidade de dengue hemorrágico (VILLABONA-ARENAS et al., 2014).
Estudos de 2014-2015 mostraram que 93% dos casos de dengue em São Paulo ocorreram onde a
temperatura superficial média passava dos 28°C, exatamente nos locais com menor cobertura vegetal. Em
laboratório, constatou-se que mais de 90% das larvas de duas linhagens do vetor tornaram-se adultas a 32°C
(ARAÚJO et al., 2015), explicando o porquê de no primeiro semestre de 2015 terem sido notificados 745.957
casos de dengue no país, sendo o maior número no Sudeste (489.636 casos; 66,2%, com 81,2% dos óbitos
por dengue no país), seguido pelas regiões Nordeste (97.591 casos; 11,5%), Centro-Oeste (85.340 casos;
12,4%), Sul (46.360 casos; 5,8%) e Norte (27.030 casos; 4,1%). Houve ainda um aumento de 45% dos óbitos
(229) em relação ao mesmo período de 2014 (158 óbitos por dengue) (BRASIL, 2015a). Em Alagoas, dos 102
22 ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ | ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS | EVERTON SANTOS MARTINS
municípios, 32 apresentaram risco de dengue maior que 3% em 2012 (Figura 8), segundo dados de notificação da
Secretaria de Saúde Estadual.
Figura 8 - Classificados municípios alagoanos por área de risco de dengue, segundo o índice de infestação predial-2014.
Planilha paralela de dados entomológicos do PNCD-AL, dados parciais obtidos em 26/05/2014, sujeitos a atualização.
Fonte: SESAU-AL, 2014.
Não existe tratamento específico para a dengue. Segundo o Ministério da Saúde (2002), para os casos da
dengue clássica a medicação é apenas sintomática com analgésicos e antitérmicos (paracetamol e dipirona). Devem ser
evitados os salicilatos (AAS ou aspirina) e outros antinflamatórios não hormonais (diclofenaco, fenilbutazona,
indometacina, ibuprofeno, nimesulida, etc.), já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações
hemorrágicas e acidose. O paciente deve ser orientado a permanecer em repouso e iniciar hidratação oral
(ingerir muito líquido como água, sucos, chás, soros caseiros, etc.). Já para os casos da dengue hemorrágica, os
pacientes devem ser observados cuidadosamente para a identificação dos primeiros sinais de choque, que podem
levar a pessoa à morte em até 24 horas. O período crítico será durante a transição da fase febril para a
afebril, que geralmente ocorre entre o segundo e terceiro dia da doença. De acordo com estatísticas do
Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com dengue hemorrágica morrem. Em casos menos graves, quando
ocorrer acidose e os vômitos para diminuir esta ameaçarem causar desidratação, ou houver sinais de
hemoconcentração, a reidratação pode ser feita em nível ambulatorial.
A melhor forma de se evitar a dengue (Figura 9) é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios
para a criação das larvas do mosquito transmissor da doença. Para isso, é importante não acumular água
em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas,
jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros. É
preciso, portanto, substituir a água dos vasos de plantas por terra e manter seco o prato coletor de água;
desobstruir as calhas do telhado, para não haver acúmulo de água; não deixar pneus (ou qualquer recipiente) expostos à
chuva, manter caixas d’água, cisternas, barris e filtros sempre tampados, acondicionar o lixo em sacos plásticos
fechados ou latões com tampa.
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 23
Figura 9 - Dicas para combater o mosquito e os focos de larvas da dengue.
Fonte:DENGUEBRASIL, 2015.
No tocante ao Zika Vírus (ZIKAV) - um RNA vírus, do gênero Flavivírus, família Flaviviridae,
esta apresenta até o momento duas linhagens conhecidas e descritas: uma Africana e outra
Asiática. É transmitido por mosquitos como A. aegypti e A. albopictus, e desencadeia um
quadro agudo caracterizado por exantema maculopapular pruriginoso (manchas erupções na
pele), febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido (coceira), diarreia,
artralgia, mialgia (dores musculares) e dor de cabeça. Tem evolução geralmente benigna e os
sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após 3-7 dias, exceto a artralgia, que
pode durar cerca de um mês. Como dito, a principal via de transmissão é por vetores, porém, já foi
relatada a transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal e sexual, além da
possibilidade de transmissão transfusional (BRASIL, 2015b).
Foi isolado pela primeira vez em primatas não humanos na floresta Zika, da Uganda, em
1947. Entre 1951 e 2013, evidências sorológicas em humanos foram notificadas em países da
África (Uganda, Tanzânia, Egito, República da África Central, Serra Leoa e Gabão Nigéria,
Senegal, Costa do Marfim, Camarões, Etiópia, Quênia, Somália e Burkina Faso), Ásia (Índia,
Paquistão, Malásia, Filipinas, Tailândia, Vietnã, Indonésia e Camboja) e Oceania (Micronésia,
Polinésia Francesa, Nova Caledônia/França e Ilhas Cook). Em 2014, esse vírus foi identificado
na América (Figura 10), especificamente na Ilha de Páscoa, oceano Pacífico, a 3.500 km do
território do Chile, e, em maio de 2015, no Brasil- em função da recepção de turistas vindos da
África para assistirem o campeonato mundial de futebol, em meados de 2014 (BRASIL, 2015b).
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Figura 10 - Países com evidências passadas e atuais (até outubro de 2015) de transmissão por Zika Vírus.
Fonte: Adaptado de CDC (Centers for Disease Control and Prevention), 2015c.
Em junho de 2015, o Brasil já tinha confirmado casos de Zika Vírus na Bahia, Rio Grande do Norte,
Alagoas, Maranhão, Pará, Roraima, Rio de Janeiro e São Paulo (BRASIL, 2015b; CDC, 2015c). De lá para cá, já
há relatos na Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela (OMS, 2015). No final de
novembro de 2015, o Instituto Evandro Chagas, órgão do Ministério da Saúde (MS) em Belém (PA), encaminhou o
resultado de exames realizados em um bebê nascido no Ceará com microcefalia (uma desordem na qual a circunferência
occipitofrontal é menor do que aquela de crianças da mesma idade, raça e sexo, isto é, menor que 32 cm) e outras
malformações congênitas, sendo que amostras de sangue e tecidos apresentaram o Zika vírus. Esse resultado, além
de outros 17 óbitos, confirmou a relação entre o Zika Vírus e o surto de microcefalia em 422 municípios de 18 diferentes
Estados além do Distrito Federal (um caso), sendo dois não confirmados no Norte do país (Rondônia e Roraima), 9
Estados do Nordeste (Alagoas,81 casos; Bahia, 180 casos; Ceará, 40 casos; Maranhão, 37 casos; Paraíba, 316
casos; Pernambuco, 804 casos; Piauí, 36 casos; Rio Grande do Norte, 106 casos; Sergipe, 96 casos), três no
Sudeste (sendo 23 casos no Rio de Janeiro, e casos não confirmados ainda em Espirito Santo e São Paulo), três no
Centro-Oeste (Goiás, 9 casos; Mato Grosso do Sul, 3 casos; e Tocantins, 29 casos), e um não confirmado na região
Sul (Paraná). A OMS e a OPAS, então, emitiram um alerta mundial sobre a epidemia do Zika Vírus nessa data (ECDC,
2015; WHO/PAHO, 2015).
Essa é uma situação inédita para ciência mundial e as investigações sobre o tema devem continuar para
esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção
do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise primária, o risco foi associado aos três
meses iniciais de gravidez. Em setembro de 2015, o MS também foi notificado pelo Instituto Evandro Chagas sobre
outros dois óbitos relacionados ao Zika Vírus - o primeiro tratava-se de um homem com histórico de lúpus e de
uso crônico de medicamentos corticóides, morador de São Luís do Maranhão, que deu entrada no hospital com
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 25
suspeita de dengue. Realizou-se coleta de amostra de sangue e fragmentos de vísceras (cérebro, fígado, baço, rim,
pulmão e coração) após o óbito, e o exame laboratorial apresentou resultado negativo para dengue, mas através de
análise molecular (reação de polimerase em cadeia em tempo real, RT-PCR), foi detectado o genoma do vírus Zika no
sangue e vísceras. Já o segundo caso foi de uma jovem de 16 anos, do município de Benevides, no Pará,
que veio a óbito no final de outubro também com suspeita inicial de dengue, sendo que apresentava como sintomas dor
de cabeça, náuseas e petéquias (pontos vermelhos na pele e mucosas). A coleta de sangue foi realizada sete dias após
o início dos sintomas, no final de setembro, sendo o teste positivo para Zika Vírus. Essas foram as primeiras
ligações de morte relacionada a tal vírus no mundo, o que demostra uma semelhança com a dengue.
Portanto, tais achados reforçam o chamado do MS para uma mobilização nacional para conter o mosquito
transmissor, o A. aegypti, responsável pela disseminação da dengue, Zika e febre Chikungunya, visto que o
resultado do Levantamento Rápido de Índices para A. aegypti (LIRAa) indica 199 municípios brasileiros em situação de
risco. O êxito dessa medida exige uma ação nacional, que envolve a União, os Estados, os municípios e toda
a sociedade brasileira (BRASIL, 2015 b; ECDC, 2015; WHO/PAHO, 2015).
As medidas de prevenção e controle são semelhantes às da dengue e febre Chikungunya. Não
existem regras de controle direcionadas ao homem, uma vez que não se dispõe de nenhuma vacina ou drogas
antivirais, e não se recomenda o uso de drogas anti-inflamatórios ou ácido acetil-salicílico. Deve-se reduzir a densidade
vetorial, por meio da eliminação da possibilidade de contato entre mosquitos e água armazenada em qualquer
tipo de depósito, impedindo o acesso das fêmeas por intermédio do uso de telas/capas ou mantendo-se os
reservatórios ou qualquer local que possa acumular água, totalmente cobertos. A proteção individual,
especialmente de mulheres gestantes, por meio do uso de roupas que cubram o máximo do corpo, e repelentes
na pele exposta ou nas roupas, deve ser implementada. Na comunidade, os métodos realizados também
são os mesmos do controle da dengue. Portanto, um programa de controle do inseto vetor em pleno
funcionamento irá reduzir a probabilidade de um ser humano virêmico servir como fonte de transmissão secundária
(BRASIL, 2015b).
No início de dezembro de 2015, a convite de governo federal, representantes do CDC (Centro de Prevenção e
Controle de Doenças) dos Estados Unidos, que é referência para a OMS em doenças transmissíveis, integrarão os
esforços das autoridades e parceiros nacionais nas análises dos casos de microcefalia. A OMS e a
sua representação nas Américas, a OPAS, têm sido atualizadas sobre o andamento das ações, dos
resultados e das conclusões do MS (BRASIL, 2015 b).
2.5 TRACOMA
O tracoma é uma inflamação crônica da conjuntiva ocular e da córnea (ceratoconjutivite recidivante), que
costuma afetar crianças desde os primeiros meses de vida, e cujo agente etiológico é a bactéria
Gram negativa Chlamydia trachomatis. Tal microrganismo possui 15 diferentes sorotipos já
identificados, sendo A, B, Ba e C aqueles associados aos sintomas de ceratoconjuntivite crônica
recidivante e transmissível (BARROS, 2001; CUMBERLAND et al., 2008), isto é, lenta e
progressivamente causa lesões repetidas, com conjuntivite folicular, hipertrofia papilar e infiltrado inflamatório
por toda conjuntiva (Figura 11). Em casos mais severos, tais lesões crescem e necrosam, formando
cicatrizes, que com repetidas reinfecções podem se tornar mais extensas, tracionando a pálpebra superior
até a sua distorção (entrópio), fazendo com que os cílios toquem o olho (triquíase) (BRASIL, 2001; BURTON,
2007; COOK, 2008). Isso pode levar a alterações irreversíveis da córnea (opacidade), alterações na visão e até
cegueira adulta (SCHELLINI, 2012). É considerada, portanto, a principal causa de cegueira evitável do mundo
(BRASIL, 2001; SMITH et al., 2007; COOK, 2008).
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A infecção inicial, portanto, pode não ser aparente, e na maioria das vezes instala-se
progressivamente de 5 a 12 dias após o contato com a bactéria, e apresenta-se como ligeiro desconforto ocular
(sensação de areia nos olhos e intolerância à luz), leve lacrimejamento, ardor, vermelhidão e, ainda, um pouco de
secreção pela manhã (DANTAS, 2013).
Figura 11 - Aspectos da infecção causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e sua evolução.
Fonte: JANET et al., 2009.
A doença apresenta duas fases: a inflamatória (transmissível) e a sequelar (não transmissível). O
diagnóstico clinico é realizado por meio de exame ocular externo, avaliação dos cílios, pálpebras,
conjuntiva e da córnea de ambos os olhos. As formas de transmissão são a direta, de olho a
olho, ou a indireta, através de objetos e vestuários (toalhas, lenços, etc.) contaminados (WRIGHT,
TURNER & TAYLOR, 2008; CUMBERLAND et al., 2008; MABEY, 2008). Alguns insetos, como a mosca
doméstica (Musca domestica) podem atuar como vetores (BARROS, 2001). No entanto, a transmissão só é
possível quando existirem as lesões ativas, sendo maior no início da doença, ou infecções
bacterianas associadas. Tal inflamação ativa afeta principalmente pré-escolares e escolares - os
principais reservatórios do agente etiológico nas regiões endêmicas (OLIVEIRA, VILA NOVA & ASSIS,
2012), visto que a bactéria sobrevive pouco tempo ao meio ambiente externo.
Atualmente, a ocorrência do tracoma no mundo restringe-se quase que exclusivamente às
populações dos países subdesenvolvidos e dentro deles, as populações rurais e marginalizadas
dos benefícios do desenvolvimento socioeconômico. No Brasil, o tracoma foi encontrado inicialmente
no Nordeste a partir do século XVIII, constituindo-se o primeiro foco de tracoma no país (BARROS, 2001),
porém, outros dois focos teriam contribuído decisivamente para a disseminação da doença no país Rio Grande do Sul e São Paulo, em função da intensificação da imigração europeia (BARROS, 2001).
Em 2009, Damasceno e colaboradores determinaram a taxa de detecção de tracoma em
6.424 crianças e adolescentes escolares do Estado de Alagoas (Figura 12), seguindo os critérios da OMS.
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 27
A avaliação clínica foi caracterizada por exame dos cílios, das pálpebras, da conjuntiva e da córnea
de ambos os olhos. Os estudantes foram catalogados, anotando-se nome, sexo, idade,
diagnóstico da forma clínica e município.
Figura 12- Municípios das três mesorregiões (A= sertão; B= agreste; C= Leste) do Estado de Alagoas participantes
do estudo epidemiológico de tracoma no ano de 2009.
Fonte: DAMASCENO et al., 2009.
A prevalência dessa doença está relacionada ao baixo índice socioeconômico e a
falta de saneamento básico e condições precárias de higiene e acesso à água (CUMBERLAND et al., 2008;
MABEY, 2008; COOK, 2008), sendo que o ciclo de desenvolvimento econômico brasileiro na década de 60 diminuiu
acentuadamente o número de casos na época. Isso levou à conclusão errônea de que a doença
havia sido erradicada (BARROS, 2001), e o diagnóstico preventivo foi deixando de ser efetuado - ou por falta de
capacitação dos médicos generalistas e oftalmologistas, visto que esses ou não tinham mais contato
com pacientes com tracoma, ou por erros de diagnóstico (BARROS, 2001). Atualmente, no entanto, há casos de
Tracoma em todas as regiões, tanto em grandes centros urbanos como em áreas rurais, cidades
litorâneas ou comunidades indígenas afastadas. Estudos recentes revelam que dos 371,3 mil
exames realizados em 2013, 15.690 casos positivos foram detectados, com taxa de positividade média de
4,2% em um total de 403 municípios (BRASIL, 2014b).
Quanto à idade, nos estudos de DAMASCENO et al. (2009) com escolares divididos em grupo A
(<10 anos), grupo B (10-14 anos) e grupo C (>14 anos), constatou-se uma taxa de 4,5% de tracoma, e sua
não erradicação na região. Dos 3.280 estudantes do sexo masculino, 161 (4,9%) casos foram positivos, e dos
3.144 estudantes do sexo feminino, 131 (4,2%) casos foram confirmados. Do total de escolares do grupo A, B e
C, respectivamente 175 (5,3%), 113 (8,0%) e quatro (1,6%), foram positivos. Portanto, essa doença deve permanecer
como diagnóstico diferencial de conjuntivite folicular crônica em crianças e adolescentes.
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Através do aprimoramento das condições sanitárias e transferência de conhecimento sobre a
doença é possível diminuir sua disseminação e incidência. Assim, a OMS espera erradicar o tracoma até o ano
de 2020 através do programa “SAFE 2020” – “Surgery (cirurgia para correção de triquíase), Antibiotics (antibióticos
para tratamento), Facial Cleanliness (limpeza das mãos e do rosto) e Environmental Improvement (melhoria
ambiental)” (BARROS, 2001; COOK, 2008). Além da prevenção, o tracoma também tem tratamento curativo,
sendo que até recentemente se indicava o uso de tetraciclina por administração sistêmica (por via oral,
durante uma semana) ou tópica (como pomada oftálmica, por seis semanas). Porém, visando facilitar o tratamento,
a OMS recomendou o uso do medicamento azitromicina (comprimido ou suspensão oral) em dose única, inclusive a
gestantes e crianças com menos de oito anos de idade, sendo este adotado pelo MS no Brasil para interromper
a cadeia de transmissão da doença a partir de pacientes com tracoma ativo, e diminuir a circulação do
agente etiológico na comunidade, reduzindo a frequência das reinfecções, a gravidade dos casos e cura da
infecção. Esta deve ser administrada por via oral em dose única, sendo distribuída pelo MS aos pacientes com o
tracoma ativo (BRASIL, 2014b).
2.6 TUBERCULOSE
A tuberculose é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch, sendo uma
das mais antigas doenças a preocupar a humanidade. Pode atingir todas as faixas etárias, embora cerca
de 85% dos casos ocorram em adultos, e todos os órgãos do corpo, ainda que em 90% dos casos afete os
pulmões, com a inalação de partículas contendo o bacilo de Koch, e que são expelidas através da tosse,
fala ou espirro pelo portador da doença ativa de vias respiratórias (RUFFINO-NETTO, 2001; 2002). Os sintomas
clássicos da tuberculose pulmonar (Figura 13) são: tosse seca persistente, depois com catarro e até sangue, febre
vespertina; suor noturno, perda de apetite, fraqueza, cansaço, prostração e emagrecimento (BRASIL, 2011b). As
formas exclusivamente extrapulmonares não transmitem a doença, e seus sintomas dependem do órgão afetado,
sendo sua ocorrência aumentada em portadores de HIV. Os principais sítios de implantação extrapulmonar
são aqueles com maior suprimento sanguíneo (córtex renal, córtex cerebral, extremidades de crescimento dos ossos
longos, vértebras e adrenais). Pode acometer também a pleura e o sistema linfático (EXEL et al., 2008).
De cada 100 pessoas que se infectam com o bacilo, cerca de 10 a 20% adoecerão. O Brasil faz parte
dos 22 países que concentram 80% da carga mundial de tuberculose, sendo que em 2012, 71.230 casos novos
da doença foram registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Brasil (BRASIL,
2014c). Em função disso, o país é um dos priorizados pela OMS em termos de atenção na prevenção e
tratamento dessa enfermidade, que, segundo tal instituição, tem como principais causas para o
agravamento de sua disseminação no mundo a desigualdade social, a disseminação do HIV (vírus da
imunodeficiência humana), o envelhecimento da população, e os grandes movimentos migratórios. Em Alagoas, no
ano de 2012, a incidência foi de 34,5/100 mil habitantes para todas as formas da doença, e de 18,8/100
mil habitantes para os casos bacilíferos, sendo registrados 103 óbitos por tuberculose (BRASIL, 2014c).
Vários países acordaram em adotar as estratégias previstas pela OMS no combate à
tuberculose pulmonar (DOTS – Terapia Diretamente Observada, de curto prazo), a fi de que ao menos 70% de
novos casos da infecção até 2005 tivessem tratamento. Na realidade, diagnosticar precocemente e tratar
correta e prontamente os casos de tuberculose pulmonar detectados são a única forma de obter praticamente 100% de
cura, interrompendo a cadeia de transmissão do bacilo.
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 29
Figura 13 - Principais sintomas da tuberculose.
Fonte: Adaptado de TRÊS LAGOAS, 2015.
O diagnóstico se dá a partir da análise de cultura a partir de uma amostra de escarro,
preferencialmente ao despertar, quando este é mais abundante, e que será utilizado para cultura
visando rastrear-se a bactéria. Por outro lado, com antituberculosos objetiva-se esterilizar lesões, restringir
resistência adquirida e evitar persistência do microrganismo condicionante de recidivas (SANTOS, 2014). Dentre
os antituberculosos conhecidos, dá-se preferência aos bactericidas com ação intracelular (pirazinamida) ou
extracelular (rifampicina e isoniazida) e definida potência antibacilar. Falhas terapêuticas provêm de falta de adesão,
resistência microbiana adquirida, ocorrência de sintomas gastrintestinais e AIDS (síndrome da imunodeficiência
adquirida).
30 ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ | ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS | EVERTON SANTOS MARTINS
A prevalência de resistência é baixa na maioria dos países, pelo que a OMS enfatiza a
adoção do controle básico da doença (estratégia DOTS) como prioridade nos países em desenvolvimento. Esse
esquema emprega rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol por dois meses, seguidos de
rifampicina, isoniazida por quatro meses, com eficácia de 98-99%. No Brasil, o tratamento da tuberculose é feito
nos primeiros dois meses administrando-se rifampicina, isoniazida e pirazinamida, num esquema dito
tríplice para diminuir a possibilidade de resistência das drogas e de diminuir a população bacteriana
em curto prazo. Nos quatro seguintes, isoniazida e rifampicina. Estas drogas produzem diversos
efeitos colaterais, tornando o acompanhamento médico é imperativo. A prevenção da tuberculose é feita
coma aplicação da vacina BCG em crianças, que geralmente é aplicada nos primeiros meses de vida (BRASIL,
2011).
Uma das principais limitações para o combate e cura dessa doença, no entanto, é o abandono
dos medicamentos, o qual impacta não só custo, por prolongar-se, como as taxas de mortalidade e de
recidiva da doença, além de facilitar a seleção de bacilos resistentes (PEREIRA et al., 2015). O SUS do Brasil
disponibiliza gratuitamente o tratamento, e o paciente deve utilizar os medicamentos por no mínimo seis
meses.
2.7 DOENÇA DE CHAGAS
Considerada pela OMS uma doença negligenciada, a doença de Chagas (ou Tripanossomíase) é a infecção
causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi que foi descrita em 1909 pelo médico e pesquisador brasileiro
Carlos Chagas. Apresenta uma fase aguda (doença de Chagas aguda) com tendência à evolução para as formas crônicas, e é
adquirida através das fezes do inseto hematófago Triatoma da subfamília Triatominae (Figura 13), conhecido
popularmente como barbeiro, depositadas sobre a pele injuriada enquanto o inseto suga o sangue humano,
ou sobre a mucosa do olho. Porém, há alguns casos de contaminação acidental em laboratórios, através
de transfusão sanguínea, transmissão congênita (da mãe infectada para o embrião), transplante de órgão e, devido à
contaminação de alimentos (acerola, caldo de cana) (BRASIL, 2014d).
No local da picada pelo “vetor” barbeiro (Figura 14), a área torna-se vermelha e endurecida, constituindo o
chamado chagoma - nome dado à lesão causada pela entrada do Trypanosoma. Quando esta lesão ocorre
próxima aos olhos, leva o nome de sinal de Romana.
Figura 14 - Complexo “Triatoma”. (A) Triatoma brasiliensis; (B) Triatoma brasiliensis macromelasoma; (C) Triatoma
melanica; (D) Triatoma juazeirensis.
Fonte: Fotos de Rodrigo Mexa (FIOCRUZ, 2015).
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 31
O chagoma é acompanhado, em geral, de íngua próxima à região. Após um período de
incubação sem sintomas (Figura 15), que é variável (7-10 dias), ocorre a evolução da fase aguda da doença
(2-4 meses) - febre, mal estar, dor de cabeça, ínguas e vermelhidão por todo o corpo semelhante a uma alergia, que
dura pouco tempo, e fi
inchaço do fígado e do baço (fase crônica). Na maioria das vezes, a fase aguda é
assintomática, principalmente em adultos. Os sintomas em crianças acontecem principalmente entre o
primeiro e quinto ano de vida. Porém, nos casos mais graves, pode ocorrer infl
do coração com
alterações do eletrocardiograma e número de batimentos por minuto aumentado, infl
das camadas de
proteção do cérebro (meningite) e do cérebro (encefalite). Os casos fatais são raros, mas, quando ocorrem, decorrem
da infl
do coração ou do cérebro. Mesmo sem tratamento, no entanto, a doença fi mais branda e
os sintomas desaparecem após algumas semanas ou meses. A pessoa contaminada, no entanto,
pode permanecer muitos anos ou mesmo o resto da vida sem sintomas (doença crônica), aparecendo a
contaminação apenas em testes de laboratório. A detecção do parasita no sangue, ao contrário da fase
aguda, torna-se agora bem mais difícil, embora a presença de anticorpos contra o parasita ainda
continue elevada, denotando infecção em atividade (NEVES et al., 2005).
As causas mais comuns de morte nos pacientes chagásicos são a insuficiência cardíaca e a morte súbita.
Cerca de 60–70% dos infectados evoluirão para uma forma indeterminada, sem nenhuma manifestação clínica da doença
de Chagas. O restante (30-40 %) desenvolverá formas clínicas crônicas: cardíaca, digestiva ou mista (com complicações
cardíacas e digestivas). Qualquer mamífero pode carregar o parasito. Os principais reservatórios no ciclo são gambás,
tatus, cães, gatos, ratos, etc. (BRASIL, 2014d).
Figura 15 - Ciclo de vida do protozoário Trypanosoma cruzi no inseto e no homem.
Fonte: Adaptado de CDC (Centers for Disease Control and Prevention), 2015c.
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Não existe vacina contra a doença de Chagas, e a melhor maneira de enfrentá-la ainda se dá por
meio da prevenção e do controle, combatendo sistematicamente os vetores, mediante o emprego de
inseticidas eficazes, construção ou melhoria das habitações para evitar a proliferação dos barbeiros, eliminação dos
animais domésticos infectados, uso de cortinados nas casas infestadas pelos vetores, controle e
descarte do sangue contaminado pelo parasita e seus derivados.
Em função de ações de controle de vetores a partir da década de 1970, o Brasil recebeu da
OPAS/OMS, em 2006, certificação internacional pela interrupção da transmissão da doença de Chagas pelo T.
infestans - espécie importada e responsável pela maior parte da transmissão vetorial no passado. Estimase que existam aproximadamente 12 milhões de portadores da doença crônica nas Américas, cerca de dois a
três milhões no Brasil.
A melhora do quadro epidemiológico da doença de Chagas no Brasil promoveu a mudança
nas ações e estratégias de vigilância, prevenção e controle, por meio da adoção de um novo modelo de
vigilância epidemiológica, de acordo com os padrões de transmissão da área geográfica. Assim, as regiões originalmente
de risco para a transmissão vetorial (AL, BA, CE, DF, GO, MA, MG, MS, MT, PB, PE, PI, PR, RN, RS, SE, SP,
TO) contam com agentes para detectar a presença e prevenir a formação de colônias domiciliares do
vetor. Por outro lado, na Amazônia Legal (AC, AM, AP, RO, RR, PA, parte do TO, MA e do MT) os vigilantes visam
detectar precocemente casos agudos e surtos, apoiados também na vigilância epidemiológica da
malária, através da capacitação de microscopistas para identificação do protozoário T. cruzi em lâminas
originalmente preparadas para diagnóstico da malária.
Contudo, a cardiomiopatia pela doença de Chagas continua sendo uma afecção muito prevalente
no Brasil. O comprometimento do músculo cardíaco nessa doença é complexo, e também há um intenso
processo inflamatório. O Nordeste segue o ritmo do Brasil na diminuição de casos da doença, mas é a segunda região com
mais contaminações do País. Em 2011, dos 168 episódios registrados pelo MS, 10 foram no Nordeste – sendo 9 no
Maranhão e um no Piauí –, enquanto no Sul não houve nenhum caso e no Sudeste foi registrada uma ocorrência da
doença de Chagas. A região com situação mais crítica no País é a Norte, onde 148 casos foram
apontados naquele ano. Curiosamente, a via de transmissão de muitos desses casos de 2011 se deu por
meio oral, em especial nos Estados do Maranhão e Piauí. Este fato alerta para realização de campanhas de
prevenção, uma vez que esta via tem sido negligenciada pelas campanhas do governo (BRASIL, 2014d).
As diretrizes do MS para o tratamento específico da fase aguda englobam o uso de medicamentos (benzonidazol),
que deve ser oferecido para pacientes com idade entre 19 e 50 anos, na ausência de forma cardíaca avançada.
Outro medicamento é o nifurtimox, mas por ser altamente tóxico, não tem comércio autorizado pela Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil. No caso de gestação ou insuficiência renal e hepática severas, o
tratamento é contraindicado. A dermatite por hipersensibilidade é o efeito adverso mais comum do benzonidazol (ocorre em
20% dos pacientes), sendo caracterizada por erupção cutânea, edema generalizado e febre, geralmente acometendo
os pacientes entre o 5º e o 10º dia de tratamento. Por isso, a partir de modificações químicas dessa substância,
pesquisadores da Universidade de São Paulo (campus de Ribeirão Preto) sintetizaram molécula que mostrou
atividade in vitro cinco vezes melhor que o benzonidazol na eliminação de T. cruzi. O passo seguinte
dessas pesquisas é a síntese de maior conteúdo dessa molécula, e a realização de testes em animais.
A falta de interesse de empresas farmacêuticas para produzir drogas que atinjam uma
doença endêmica em população de baixa renda – 2 a 3 milhões de infectados no Brasil, bem como o baixo
investimento em pesquisa básica ensaios clínicos, contribuem para a dificuldade do controle. É necessário
interesse de órgãos responsáveis pela Saúde Pública e de institutos de pesquisa para desenvolver melhores formas de
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 33
prevenção, diagnóstico e tratamento da doença de Chagas, além de realizar medidas para controle da
migração de indivíduos infectados para países onde a doença ainda não existia.
2.8 LEISHMANIOSE CUTÂNEA
As Leishmanioses são antropozoonoses de grande importância para saúde pública, pois
constituem um complexo de doenças com relevante espectro clínico e diversidade epidemiológica (BRASIL,
2007b). São infecciosas, não contagiosas, causadas por diferentes espécies de parasitas do gênero
Leishmania, os quais se disseminam através da picada de fêmeas de mosquitos flebotomíneos, conhecidos no
Brasil como “palha”.
Ocorrem em ambos os sexos e todas as faixas etárias, entretanto, na média do país, predomina
em maiores de 10 anos (9% dos casos) e no sexo masculino (74%). Pode manifestar-se de três formas básicas:
cutânea, mucocutânea e a visceral.
Mesmo com a diversidade de espécies do parasita, a manifestação clínica da doença vai
depender também do estado imunológico do indivíduo infectado. As lesões apresentam aspectos variados (Figura
16) e a infecção secundária bacteriana altera este aspecto, tornando-as mais inflamadas, dolorosas e purulentas, com
pápulas transformando-se em úlceras com bordas elevadas e granuladas, únicas ou múltiplas, que são
indolores. P o d e m também formar placas verrugosas e nodulosas, localizadas ou difusas. Tais
manifestações em casos crônicos podem surgir com sequelas e mutilações (BATISTA et al., 2015).
A leishmaniose cutânea (LTA) tem evolução crônica que acomete as estruturas da pele e cartilagem
da nasofaringe de forma localizada e difusa, sendo considerada um grave problema de saúde pública.
No Brasil, a LTA representa a manifestação clínica mais frequente e é uma das afecções dermatológicas
que preocupam bastante, pelo risco de deformidades que pode acometer o ser humano, com úlceras (ferida)
típicas localizadas em áreas expostas da pele, com formato arredondado ou ovalado de fundo avermelhado e com
granulações grosseiras que tendem à cicatrização (BRASIL, 2007b).
Figura 16 - (A) Lesão cutânea localizada em estágio inicial; (B) lesão cutânea ulcerada franca, única.
Fonte: BRASIL, 2007b.
Segundo DIAS (1998), diagnóstico e tratamento das leichmanioses são relativamente simples e exequíveis na
maior parte do país. Inicia-se pelo exame parasitológico direto em esfregaço de raspado da borda da lesão
(BRASIL, 2010). Senso o resultado positivo, opta-se primeiro por drogas antimoniais pentavalentes (dosagem
padronizada pela OMS). No caso da presença de lesões ulceradas, aconselha-se limpeza da ferida,
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afim de evitar contaminação secundária (BRASIL, 2007b). Já a prevenção é complexa, principalmente quando
residências e campos de trabalho (situações de vida e de trabalho) se alocam em encostas de morros e matas que são
habitats prediletos do flebotomíneo.
2.9 LEISHMANIOSE MUCOCUTÂNEA
A Leishmaniose mucocutânea (LM) é uma variante das formas clínicas da doença tegumentar (LTA). No
Brasil, o agente etiológico causador da moléstia é a Leishmania braziliensis. Clinicamente a doença se
expressa por lesões destrutivas localizadas nas mucosas das vias aéreas superiores. A maioria dos
pacientes com LM apresenta cicatriz indicativa de Leishmaniose cutânea anterior. Isso implica dizer
que pacientes da forma cutânea com lesões múltiplas, extensas e com mais de um ano de evolução,
são o grupo com o maior risco de desenvolver a variante mucocutânea. Geralmente a lesão é indolor e se
inicia no septo nasal anterior, cartilaginoso, de fácil visualização.
Acredita-se que esta forma clínica de Leishmaniose, seja causada pela disseminação das
leishmanias inoculadas na pele para as mucosas nasal, orofaringe, palatos, lábios, língua, laringe e,
excepcionalmente, traqueia e árvore respiratória superior (BRASIL, 2007b). Como também as lesões de pele
próxima aos orifícios naturais podem, consequentemente, invadir a mucosa. As queixas comumente
relatadas incluem: obstrução nasal, eliminação de crostas, rouquidão, tosse, dificuldade ou dor ao deglutir e
hemorragia da mucosa nasal. Nas lesões crônicas e avançadas pode haver mutilações com perda
parcial ou total do nariz, lábios, pálpebras, causando deformidades. Apesar de exames como IDRM, para
avaliação imunológica de antígenos do protozoário apresentar-se fortemente positiva no caso da LM, a
confirmação da doença é difícil pela escassez parasitária. O tratamento indicado também inclui os
antimoniais pentavalentes, no entanto, é necessário maior cuidado na forma mucosa que podem
apresentar difícil resposta terapêutica, exigindo maior dosagem e recidivando com mais frequência.
Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde (BRASIL, 2007b), as medidas de controle são o uso de
repelentes em ambientes onde os vetores habitualmente possam ser encontrados, evitar expor-se nos
horários de atividades do vetor (crepúsculo e noite) em áreas de ocorrência de L. umbratilis e evitar a exposição
durante o dia e a noite, usar de mosquiteiros de malha fina (tamanho da malha 1,2 a 1,5 e denier 40 a 100),
bem como a telagem de portas e janelas, e proceder o manejo ambiental por meio de limpeza de quintais e
terrenos, a fim de alterar as condições do meio que propiciem o estabelecimento de criadouros para
formas imaturas do vetor. Também são essenciais medidas como poda de árvores, para aumentar a insolação
e diminuir o sombreamento do solo, evitando condições favoráveis (temperatura e umidade) ao desenvolvimento de
larvas de flebotomíneos, bem como descarte adequado do lixo orgânico para impedir a aproximação de mamíferos
comensais, como marsupiais e roedores (prováveis fontes de infecção de flebotomíneos), além da limpeza periódica
dos abrigos de animais domésticos e manutenção destes distantes do intradomicílio durante a noite, visando
reduzir a atração dos flebotomíneos para este ambiente. Em áreas potenciais de transmissão, sugere-se uma faixa de
segurança de 400 a 500 metros entre as residências e a mata. Entretanto, uma faixa dessa natureza terá
que ser planejada para evitar erosão e outros problemas ambientais.
2.10 LEISHMANIOSE VISCERAL
A leishmaniose visceral (LV), também conhecida como calazar, esplenomegalia tropical e febre dundun,
dentre outros nomes menos conhecidos, é causada pelo protozoário Tripanossomatídeo Leishmania
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 35
chagasi, tendo o cão como o reservatório mais importante e o homem o hospedeiro final, sendo o mosquito
flebotomíneo Lutzomya longipalpis seu vetor. CARVALHO & MARQUES (2007) afirma que a transmissão da
LV é inicialmente silvestre ou concentrada em pequenas localidades rurais, no entanto se expandiu para
áreas urbanas de médio e grande porte e tornou-se um crescente problema de saúde pública no país. Na
América Latina o calazar foi descrito em pelo menos 12 países, sendo 90% dos casos ocorridos no Brasil,
especialmente na Região Nordeste (BRASIL, 2006).
É uma doença crônica sistêmica, caracterizada por febre de longa duração, perda de
peso, fraqueza e anemia, dentre outras manifestações que se não tratadas, podem levar ao óbito (BRASIL,
2010). No entanto, muitos infectados apresentam a forma inaparente, assintomática. Suas manifestações clínicas
demonstram o desequilíbrio entre multiplicação dos parasitos nas células do sistema fagocítico
mononuclear (SFM), a resposta imune do indivíduo e o processo inflamatório subjacente; assim, para a
evolução clínica da LV, considera-se a divisão por períodos. O período inicial (fase aguda) determina o início
dos sintomas, que varia para cada paciente, mas a maioria apresenta febre de até quatro
semanas, palidez e crescimento do baço e do fígado (hepatoesplenomegalia). No período de estado (Figura
17), o paciente apresenta febre irregular associada ao emagrecimento progressivo, além do maior
comprometimento do baço e fígado. Normalmente trata-se de um quadro clínico arrastado com mais
de dois meses de evolução. Caso não seja feito o diagnóstico e tratamento até então, o caso evolui
para o período final, onde a febre torna-se contínua, e o comprometido do estado geral é mais intenso,
além da desnutrição que se instala com cabelos quebradiços e pele seca acompanhada de edema
nos membros inferiores, que pode evoluir para edema generalizado. Alguns pacientes podem
manifestar sangramento nasal e na gengiva, icterícia e a conhecida barriga d’água, nesses casos
geralmente há óbito por infecções bacterianas e/ou hemorragia (BRASIL, 2010).
Figura 17 - Evolução clínica da leishmaniose visceral. (A) Período de estado; (B) fase aguda.
Fonte: BRASIL, 2006.
A leishmaniose visceral ocorre em todas as idades, mas na maior parte das áreas endêmicas 80% dos casos
registrados ocorrem em crianças com menos de 10 anos. Em alguns focos urbanos a doença teve alta
taxa de crescimento em jovens adultos.
A doença atinge principalmente as populações mais pobres. Os países que apresentam 90%
dos casos são: Índia, Bangladesh, Nepal, Sudão e Brasil. No Brasil o maior número de casos aparece no Norte e
Nordeste, onde a precariedade das condições sanitárias favorece a propagação da doença. Segundo
GONTIJO & MELO (2004), o primeiro relato de LV no Brasil foi feito em 1934, quando foram encontrados
36 ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ | ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS | EVERTON SANTOS MARTINS
amastigotas de leishmania em cortes histológicos de fígado de pessoas que morreram com suspeita de
febre amarela. Somente 20 anos depois é que se registrou o primeiro surto da doença em Sobral, no
Ceará. Na década de 50, então, foi criado um programa de controle com o objetivo de evitar a
transmissão da doença nas áreas de risco no Brasil, e colocar profissionais capacitados para diagnóstico e
tratamento para controle da doença, visando assim diminuir a expansão da doença e mortalidade. Em meados
dos anos 80, no entanto, constatou-se uma transformação drástica na distribuição geográfica da LV, de modo que se
antes era restrita às áreas rurais do nordeste brasileiro, avançou para outras regiões alcançando inclusive a
periferia de grandes centros urbanos. Em 19 dos 27 Estados brasileiros já foram registrados casos
autóctones de LV. Nos últimos cinco anos ocorreram em média 3.500 casos humanos novos, sendo a
maioria na região nordeste do país. A partir dos anos 90, os estados do Pará e Tocantins (região norte), Mato
Grosso do Sul (região Centro oeste), Minas gerais e São Paulo (região Sudeste) passaram a influir de maneira
significativa nas estatísticas da LV no Brasil.
O diagnóstico pode ser clinico e laboratorial, sendo que no segundo caso os exames se
baseiam principalmente em exames imunológicos e parasitológicos por meio da detecção das formas
intracelulares do protozoário. Em material biológico obtido da medula óssea, linfonodo ou baço, além de
alterações que podem ocorrer na composição das células sanguíneas e no metabolismo de proteínas do
indivíduo. O tratamento é feito com o uso de compostos antimoniais, pentamidina, anfotericina B para
gestantes e pacientes que apresentem fatores associados ao maior risco de óbito, ou miltefosina. O grupo
de risco suscetível ao calazar são crianças e idosos. Medidas preventivas para a Leishmaniose despertam a
atenção para o vetor, com medidas que reduzam sua proliferação, com o uso de repelentes de insetos, e
construção de residências a pelo menos 500 metros da mata silvestre.
2.11 ONCOCERCOSE
Por ser causa frequente de cegueira nas pessoas afetadas, a oncocercose, uma doença
parasitária humana crônica, também conhecida como “cegueira dos rios” e causada por uma filaria Nematoda do gênero
Onchocerca, ganhou importância na saúde pública, especialmente nos países onde a transmissão é
intensa. No Brasil, a única espécie encontrada é a Onchocerca volvulus (BRASIL, 2010), sendo que atualmente está em
fase de pré-eliminação, sem registros de novos casos de 2000 a 2010 (BRASIL, 2012). A transmissão ocorre pela
picada dos vetores do gênero Simulium, popularmente conhecido como “borrachudo”, que proliferam em
córregos e rios de correnteza rápida. A filaria pode permanecer viva no homem por 10 a 15 anos (casos não tratados),
durante esse período, os vetores podem se infectar, não há transmissão entre humanos. As fêmeas podem resistir até
16 anos dentro dos nódulos, enquanto vivas as microfilárias não despertam nenhuma reação na pele, porém quando
morrem, desencadeiam uma resposta inflamatória local, causando as manifestações cutâneas mencionadas
anteriormente, e da derme, podendo invadir o globo ocular causando complicações graves, como a
cegueira (BRASIL, 2012).
De acordo com o MS, a transmissão foi interrompida e eliminada em 11 dos 13 focos nas
Américas, como resultado da ação da OPAS/OMS, sendo que apenas 20.495 pessoas ainda necessitam
de tratamento no Brasil (comunidade indígena Yanomami – Figura 18) e Venezuela. A Colômbia foi o primeiro país do
mundo a receber o certificado de eliminação da oncocercose (BRASIL, 2015c).
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 37
Figura 18 - Foco de Oncocercose na comunidade indígena Yanomami no Brasil.
Fonte: BRASIL, 2015b.
A doença caracteriza-se pelo surgimento de nódulos subcutâneos filárias sobre superfícies ósseas em regiões como
ombros e cabeça (América) ou cintura pélvica e extremidades inferiores (África). Os vermes adultos se alojam nestes nódulos, que são
superficiais indolores e móveis. Estes eliminam microfilárias que, ao se desintegrarem na pele, causam manifestações
cutâneas agudas (coceira intensa) ou crônicas (pele seca, áspera, espessa e escamosa, despigmentada em regiões sobre o
periósteo ou próximo das articulações). A migração das microfilárias pode atingir os olhos provocando alterações diversas, como:
conjuntivite, inchaço nas pálpebras, inflamação da córnea e da porção esclerótica (membrana externa dos olhos), esclerose lenticular e
coriorretinite difusa degenerativa podendo levar à cegueira. Em infecções muito intensas, microfilárias podem ser vistas na
urina, lágrimas, escarro e sangue (BRASIL, 2010).
O diagnóstico laboratorial é realizado por observação de filárias de um exame microscópico de uma biópsia superficial
recém-obtida da pele, além de exame de urina e oftalmoscópico para avaliar a saúde da retina. O tratamento medicamentoso é a
base de ivermectina ministrada em dose única, com periodicidade semestral ou anual, durante 10 anos de
acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde (OLIVEIRA, VILA NOVA & ASSIS, 2012; BRASIL, 2010).
A prevalência da oncocercose é influenciada pela proximidade dos rios e afluentes, locais de
desenvolvimento larval do vetor. Em virtude disso, medidas de controle usualmente preconizadas são o
tratamento dos portadores das microfilárias e combate aos simulídeos visando a interrupção da transmissão. O
programa de eliminação recomenda a medicação de toda a população elegível nas áreas endêmicas, e
adoção de medidas que reduzam o contato vetor-homem (BRASIL, 2010).
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2.12 GRIPE A
A gripe A H1N1 é uma mutação do vírus influenza, e é uma das doenças endêmicas respiratórias
agudas mais recentes, com potencial de disseminação global. Até agosto de 2010, mais de 214 países
relataram casos de Influenza H1N1 confirmados laboratorialmente, com aproximadamente 18,4 mil mortes
(SIGUETA et al., 2015). Trata-se de uma doença internacional que na sua forma epidêmica não reconhece limites
territoriais, de idade ou sexo. De acordo com a OMS (2009), o Brasil se enquadra num cenário predominantemente com
casos clínicos leves, com baixa letalidade. Enfrentando a epidemia baseado em medidas de contenção – identificação
precoce, tratamento e isolamento de casos, e no seguimento de seus contatos próximos.
As manifestações clínicas da infecção pelo vírus H1N1 são semelhantes às da gripe comum, e
podem ser transmitidas de uma pessoa a outra, através de secreções respiratórias, principalmente
por meio da tosse ou espirro de pessoas contaminadas. Os sintomas podem incluir: febre acima de
38ºC, tosse, dores musculares e nas articulações, cansaço, dores de cabeça, coriza nasal, dor de
garganta, e em alguns casos, vômito e diarreia. Os grupos de risco compreendem crianças
menores de dois anos e idosos acima de 60 anos, gestantes, portadores de imunossupressão
(transplantados, pacientes com câncer, pacientes com AIDS) e indivíduos com doenças crônicas pulmonares,
cardiovasculares, renais, hepáticas e metabólicas (VERRASTRO et al., 2009).
A Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISA) ressalta a participação e comprometimento de todas as
equipes da Secretaria da Saúde na vigilância constante da Influenza A H1N1 (SBI, 2009). Como medidas
preventivas (Figura 19), recomenda-se frequente higienização das mãos, evitar tocar olhos, nariz ou boca após contato
com superfícies, usar lenços descartáveis ao tossir ou espirrar para não disseminar aerossóis e, evitar
locais fechados com aglomeração humana, procurando sempre locais arejados.
Figura 19 - Medidas preventivas da disseminação da Gripe A.
Fonte: BRASIL, 2009.
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 39
O tratamento inicialmente pode consistir na administração dos sintomas. Medidas como
repouso, ingestão de líquidos e uma boa alimentação podem auxiliar na recuperação, a maioria dos
sintomas da gripe regridem após cerca de uma semana. No entanto para os casos confirmados de influenza A
H1N1, o uso via oral do antiviral Tamiflu®, cujo princípio ativo, é o Oseltamivir, disponibilizado pelo MS, é indicado
(OLIVEIRA & HUEB, 2009).
2.13 GEOHELMINTÍASES
Constituem um grupo de doenças parasitárias intestinais que acometem o homem, ocasionadas
por helmintos que possuem ampla associação com o solo, sem hospedeiro intermediário, e que dependem de
condições propícias do ambiente para o seu desenvolvimento. Os principais são: Ascaris lumbricoides
(ascaridíase), Trichuris trichiura (tricuríase) e os ancilostomídeos Ancylostoma duodenal e Necator americanos
(ancilostomíase) (BRASIL, 2012). A preocupação com esses helmintos transmitidos pelo solo refere-se à possibilidade
de morbidade, já que, estes afetam a situação de nutrição e processos cognitivos do indivíduo, em alguns
casos, decorrentes de complicações, levando a intervenção cirúrgica, além de induzirem reações nos tecidos
(granulomas).
No Brasil, os casos de portadores dessas parasitoses são detectados de forma passiva pelas
unidades de saúde. Estima-se que a prevalência no país varie de 2% a 36%, podendo atingir valores maiores
especialmente em municípios com baixo índice de desenvolvimento. No período de 2003 a 2012, detectou-se
positividade média para ascaridíase de 11,2%, para ancilostomídeos esta foi de 6,08%, enquanto que para tricuríase, a
média de casos positivos foi de 4,4% (BRASIL, 2014a).
Visando o fortalecimento das ações de vigilância das geohelmintíases, o MS propõe a implantação
do tratamento preventivo em crianças de 5 a 14 anos - importante grupo de risco para as infecções, visto a
fase de crescimento físico intenso e rápido metabolismo, além do impacto negativo da infecção sobre as
tarefas cognitivas em relação à aprendizagem, aumentando a suscetibilidade. Dessa forma, conforme
as recomendações da Organização Mundial de Saúde o albedazol é administrado, via oral, como proposta
do tratamento preventivo (BRASIL, 2012; BRASIL, 2014a).
2.13.1 ASCARIDÍASE
Ascaris lumbricoides é o parasito mais frequente em todo o mundo, com prevalência em países pobres
estimada em cerca de 30% (PAGOTTI, 2013), devido à alta capacidade de a fêmea gerar sua prole, além da grande
resistência de seus ovos ao meio externo, em que temperaturas entre 20 e 30ºC são ótimas para completar
sua maturação em duas semanas (PAUL, 2008). Normalmente não causa sintomatologia aparente, mas pode causar
dores abdominais, diarreias, náuseas e emagrecimento, em especial em enfermos com grande número de
vermes, podendo levar inclusive, a um quadro de obstrução intestinal. Neste caso, alguns pacientes
podem relatar a eliminação frequente de vermes adultos nas fezes ou vômito. Em virtude do ciclo pulmonar da
larva, alguns pacientes apresentam síndrome de Löefl (broncoespasmo, presença de sangue em escarro ou tosse, e
pneumonite).
A transmissão ocorre pela ingestão de ovos infectantes do helminto, resultantes do solo, água ou
alimentos contaminados com fezes humanas (Figura 20). O diagnóstico consiste no achado de ovos nos exames parasitológicos
de fezes. O albendazol é o vermicida administrado via oral recomendado (BRASIL, 2010). Para o controle da doença, além das
medidas gerais de educação em saúde e saneamento, são necessário medidas específicas, como evitar a ingestão de
possíveis fontes de infecção, com a higienização pessoal e na manipulação dos alimentos.
40 ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ | ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS | EVERTON SANTOS MARTINS
Figura 20 - Ciclo de vida do helminto causador da ascaridíase, Ascaris lumbricoides.
Fonte: Adaptado de CDC (Centers for Disease Control and Prevention), 2015d.
2.13.2 TRICURÍASE
A tricuríase (causada por Trichuris trichiura) é uma parasitose com maior prevalência em regiões quentes e úmidas,
pois assim facilita a maturação e sobrevivência dos ovos do verme. A infecção acomete mais crianças entre 5 e
15 anos, especialmente se desnutridas, indicando uma maior incidência da parasitose em regiões precárias
no âmbito socioeconômico. É comum sua coexistência com o A. lumbricoides (PAUL, 2008). O nemátode se
localiza no intestino grosso, e infecções graves podem ser encontradas desde o íleo terminal até o reto.
O quadro clínico está diretamente relacionado com a carga parasitária, com a extensão da infecção
e estado nutricional do hospedeiro, sendo possível que ocorram pacientes assintomáticos bem como casos
graves que, se não tratados levam ao óbito. No geral, os sintomas, quando manifestados incluem:
irritabilidade, insônia ou sonolência, emagrecimento, apatia, coceira na região do ânus, e eventualmente
urticária. As manifestações digestivas, frequentemente leves e vagas, se caracterizam por dores abdominais
e diarreia, alternada com quadro de constipação intestinal. Quando severas, incluem diarreia, enterorragia (sangue nas
fezes) podendo gerar um quadro de anemia pela deficiência de ferro, e prolapso retal (exteriorização parcial ou total do reto).
A transmissão ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos do verme. A
presença destes nas fezes, nos exames parasitológicos confirma o diagnóstico. No caso do parasitismo isolado, para
um tratamento específico medicamento utilizado é o oxipirantel. Sendo diagnosticado o T. trichiura associado a outros
vermes, a substância de escolha requer um anti-helmíntico de amplo espectro como o albendazol e o
mebendazol. Medidas preventivas implicam em bons hábitos de higiene pessoal, e na manipulação de
alimentos além de instalações sanitárias adequadas.
CONVERSANDO SOBRE CIÊNCIAS EM ALAGOAS - PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS DE ALAGOAS 41
2.13.3 ANCILOSTOMÍASE
Conhecida também como “amarelão” ou “doença do Jeca Tatu” trata-se de uma infecção
intestinal causada pelos nemátodes Ancylostoma duodenale ou Necator americanus, os quais comprometem o
intestino delgado - sobretudo nos países tropicais em desenvolvimento. No Brasil, predomina nas áreas
rurais, estando muito associada a regiões sem saneamento cujas populações têm o hábito de andar
descalças. Em condições favoráveis de umidade e temperatura, as larvas do parasito podem tornar-se
infectantes num prazo de 7 a 10 dias, e de tão resistentes, podem permanecer no solo por várias semanas
(BRASIL, 2010).
A transmissão do N. americanus ocorre através da penetração ativa da larva na pele,
conjuntiva e mucosas. Para o A. duodenale, a transmissão não ocorre apenas pela penetração da larva,
mas também pela ingestão de alimentos e água contaminados (PAUL, 2008). A ação patogênica dos
ancilostomídeos está relacionada com seu ciclo biológico (Figura 21) em três etapas: (1) penetração da larva infectante
com irritações na pele (feridas e coceira), (2) fase de migração pulmonar, onde as manifestações respiratórias variam de
formas leves até a síndrome de Löefler, e (3) fase intestinal, com dores abdominais, diarreia com perda de sangue em
alguns casos, induzindo deficiência de ferro, anemia, fraqueza, inchaço generalizado e insuficiência cardíaca.
O diagnóstico é realizado por meio do achado de ovos nas fezes, durante o exame
parasitológico. O tratamento consiste no uso, via oral, de substâncias como o mebendazol e albendazol.
Desenvolver atividades de educação em saúde, com relação a hábitos de higiene pessoal e evitar andar
descalço, bem como instalações sanitárias adequadas e implantação de saneamento básico
especialmente em regiões rurais, são recomendações preventivas contra a ancilostomíase.
Figura 21 - Ciclo de vida do parasita causador da ancilostomose, Ancylostoma duodenale.
Fonte: Adaptado de CDC (Centers for Disease Control and Prevention), 2015e.
42 ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ | ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS | EVERTON SANTOS MARTINS
3
CONCLUSÃO
Embora seja evidente o progresso das pesquisas científicas na área médica, medidas
profiláticas e de tratamento, partindo do controle e combate das principais endemias, ainda
representam um desafio para a manutenção da saúde pública do país. Em especial porque a
prevalência das mesmas é maior em regiões com elevado índice de “pobreza”, onde as condições
de saneamento básico e educação para disseminar o conhecimento e disponibilidade de serviços
de saúde são precárias. Em Alagoas, infelizmente, esse quadro ainda se faz presente na maioria
arrebatadora dos municípios.
Logo, é necessário o comprometimento do Ministério da Saúde e dos diferentes órgãos do
governo Estadual, incluindo as Secretarias da Educação, de Recursos Hídricos e de Agricultura e
Abastecimento, além da previsível atuação da Secretaria Estadual da Saúde, visando ações para
melhoria da qualidade de vida (educação, moradia e saneamento básico) e redução dos focos de criação de
vetores e parasitos e/ou demais patógenos, evitando sua proliferação, permanência, disseminação e,
portanto, a prevalência de endemias e o surgimento de novos casos.
44 ANA MARIA QUEIJEIRO LÓPEZ | ANNA KAROLINE AZEVEDO FARIAS | EVERTON SANTOS MARTINS
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